sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Cultura - Não comecem a pensar mal de mim!

Em Latim
"ADEMUS AD MONTEM FODERE PUTAS CUM PORRIBUS NOSTRIS"

Em Português:
*"VAMOS À MONTANHA PLANTAR BATATAS COM AS NOSSAS ENXADAS"*

Se soubessem Latim não pensavam asneiras... ou pensam mesmo que editava algo que não fosse de cariz cultural...

Para amenisar

ABSOLUTAMENTE HILARIANTE!!!
Claro, só aqui mesmo é que acontecem essas coisas!
Quando passarem por Beja, poderão certificar se é verdade ou não.......

*O Registo Civil de Beja recebeu o seguinte requerimento :*
*Beja, 5 de Fevereiro 2006.**

Eu, Maria José Pau, gostaria de saber da possibilidade de se abolir o
sobrenome Pau do meu nome, já que a presença do Pau me tem
deixado embaraçada em várias situações. Desde já agradeço a atenção despendida.

Peço deferimento,
Maria José Pau.


Em resposta, recebeu a seguinte mensagem:

Cara Senhora Pau:
Sobre a sua solicitação da remoção do Pau, gostaríamos de lhe dizer que a nova legislação permite a remoção do Pau, mas o processo é complicado e moroso.
Se o Pau tiver sido adquirido após o casamento, a remoção é mais fácil, pois, afinal de contas, ninguém é obrigado a usar o Pau do cônjuge se não quiser. Se o Pau for do seu pai, torna-se mais difícil, pois o Pau a que nos referimos é de família e tem sido utilizado há várias gerações.
Se a senhora tiver irmãos ou irmãs, a remoção do Pau torná-la-ia diferente do resto da família.
Cortar o Pau do seu pai pode ser algo muito desagradável para ele. Outro senão está no facto do seu nome conter apenas nomes próprios, e poderá ficar esquisito, caso não haja nada para colocar no lugar do Pau. Isto sem mencionar que as pessoas estranharão muito ao saber que a senhora não possui mais o Pau do seu marido.
Uma opção viável seria a troca da ordem dos nomes. Se a senhora colocar o Pau na frente da Maria e atrás do José, o Pau pode ser escondido, pois poderia assinar o seu nome como 'Maria P. José'.
A nossa opinião é a de que o preconceito contra este nome já acabou há muito tempo e visto que a senhora já usou o Pau do seu marido por tanto tempo, não custa nada usá-lo um pouco mais.
Eu mesmo possuo Pau, sempre o usei e muito poucas vezes o Pau me causou embaraços.

Atenciosamente,
Bernardo Romeu Pau Grosso
Registo Civil de Beja

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Convívio da última quarta feira de Fevereiro

Hoje, 27 de Fevereiro, teve lugar pelas treze horas, frente à Casa do Alentejo, nas Portas de Santo Antão e frente à Rua do Regedor, a concentração dos persistentes e indefectíveis companheiros, ex-seminaristas de Beja. Um dos primeiros a chegar foi o Antonino Mendonça. Porque vinha de longe levantou-se mais cedo e, todo ufano, trazia o projecto de “filho”,(livro), debaixo do braço. Outros se lhe seguiram: Xico Acabado, Jacinto (Pratas) Latas, Robalo (avesso às novas tecnologias), Campos, Guilhoto, Zé Contreiras e suas aventuras com a Ramalhal figura, o Jacinto Charrama, com tendência para último, mas sempre sucedido pelo ocupadíssimo Túbal, que nunca chega antes do início do repasto.
Hoje éramos exactamente 12 =9+3. Quiseram dar-nos o prazer da sua companhia, alem dos já habituais Silva Pinto e Fernando “Matateu”, o cunhado deste, o Amigo Lourenço, cuja presença se tornou muito simpática e totalmente integrada no grupo.
Para variar, hoje não fomos à cervejaria Baleal, mas ao restaurante Os Unidos do Minho, frente ao conhecido João do Grão. O principal nestes encontros não é a ementa, mas, apesar de tudo, parece que a alteração não foi vantajosa.
Como deixei transparecer o Livro do Antonino continua o seu percurso, prevendo-se o lançamento a médio prazo.
O Jacinto Charrama fazia-se acompanhar do seu reprodutor de música em Mp3 e revelava-nos as suas produções originais: músicas “andaluces”, com realce para o Passo doble, interpretadas pelo próprio e a composição para filarmónica, interpretada pela Banda de Castro Marim.
Quanto ao projecto do Silvestre Aranha não houve notícia, embora algumas vozes se levantassem lembrando a inoportunidade de reactivar uma instituição adormecida, sugerindo que seria melhor apostar nos novos meios de comunicação para aí expressar temas e problemas socialmente relevantes.
Paralelamente outros disseram que há condições favoráveis para apostar na reactivação da Academia de São Sisenando, (Sisinando, Sesinando, Sizenando ou Sezinando, como queiram), com a promoção de eventos culturais importantes, para o que há massa crítica bastante e disponível.
Encerrada a sessão, quer dizer, terminado o almoço, seguiu-se a habitual constituição de pequenos grupos deambolantes até à ginginha.
Cumprido o ritual, fizeram-se os votos por bom mês de Março e vamos em frente que atrás vem gente: cada um seguiu ao seu destino.
Até 26 de Março, Companheiros!

1948 (Continuação) O Recrutamento para os seminários

O ensino público laico avançava com a “revolução do Estado Novo”, embora ainda deixasse muito a desejar. O ensino secundário não ía além das sedes de distrito.
Nestas condições as zonas rurais (aldeias e vilas), eram terreno fecundo para recrutar crianças ou adolescentes que quisessem estudar com vista a ascender mais tarde ao sacerdócio: alem dos apelos dirigidos através dos priores das freguesias, alguns dos padres da equipa de formadores do seminários fizeram autênticas campanhas de recrutamento nas aldeias dos distritos de Castelo Branco, Guarda Viseu e Aveiro, donde vieram para Beja centenas de rapazes, numa aventura que eles nunca sonhariam poder concretizar. As viagens de ida e vinda das férias eram recheadas de peripécias, umas rocambolescas outras quase dramáticas, e constituíam motivo de conversa durante dias e dias, cada um contando a sua odisseia.
No Alentejo a campanha de angariação de candidatos fazia-se ao nível da catequese. Embora muito afastado da igreja, o povo alentejano conservou sempre uma grande religiosidade, às vezes tocando as raias da superstição.
Nas aldeias , mesmo as que não tinham prior, havia sempre umas senhoras devotas que se reuniam na igreja local e catequizavam as crianças da escola, fazendo-se eco dos apelos do Vice-Reitor, Padre Torrão, através da Obra das Vocações, canalizados por um jornalzinho trimestral: O Nosso Seminário.
O regime de internato facilitava a vida dos deslocados estudantes e deixava descansados os pais que assim entregavam os filhos a educadores de confiança.
Os custos também eram muito menores do que no ensino oficial, sobretudo devido ao alojamento comunitário e alimentação que eram proporcionados, em boas condições de higiene e segurança sobre todos os aspectos.
A Diocese precisava de candidatos e, nas aldeias eram muitos os que queriam e precisavam de estudar e muitos almejavam mesmo vir a ser padres: não podemos escamotear que alguns se terão aproveitado da ocasião, mas penso que a maioria foi para o seminário com vontade de ascender ao sacerdócio. Só que, como se dizia: muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.
Mas aqui há que render homenagem aos Seminários, como Escolas de Vida e Formação de Homens, (com as suas lacunas, que sempre existem), mas que muito deram ao país

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Mensagem do Companheiro Túbal

Embora com atraso, aqui vai a tua mensagem simpatiquérrima. Não pus a referência ao Sporting porque ontem...... tás a ver não tás? A tua intenção era boa!!!Obrigado!!!

Caro amigo,

Obrigado por me teres enviado o endereço do blog,que com muita coragem e dinamismo certamente vais assumir.Não sendo eu um "expert" nestas modernices,pois considero-me um infoexcluido,vou tentar dar alguma colaboração e desde já gostaria de sugerir que não ficássemos só limitados a uma visão saudosista dum passado que certamente nos marcou,mas que conseguissemos fazer um esforço, no sentido de partilharmos experiências de vida e de empenhamento na construção de uma sociedade mais justa,mais humana e mais fraterna.
Da minha parte tentarei que a minha colaboração tenha este sentido de partilha de preocupações vividas por todos nós que vão desde o mundo vasto e complexo da politica,das relações sociais,da cultura,das ciências e das artes,da vida internacional,dos meios de comunicação social e não esquecendo o amor,a familia,a educação das crianças e jovens e para alguns o trabalho profissional e até o sofrimento,etc.,quer dizer,todos os aspectos em que se manifesta a vida dos homens em pleno mundo
Com um abraço do
M.Túbal

domingo, 24 de fevereiro de 2008

1948 (Continuação)

No final da década de quarenta o Seminário de Beja era uma realidade arquitectónica de traço simples, mas muito funcional, constituído por quatro corpos fechando em claustro e um quinto corpo (ginásio e sala de conferências, hoje seria auditório), situado nas traseiras em paralelo e ligado em T aos outros quatro por um bloco de transição contendo sanitários e um grande depósito de água na parte superior.
Virado a nor-noroeste a frontaria dá para a Avenida Dom Afonso Henriques que o separa do Jardim Público, lugar de grande frequência popular, sobretudo no verão.
Para dirigir o seu seminário, escolheu o bispo José do Patrocínio, uma equipa jovem de padres de grande dedicação e sabedoria: Francisco Marques Torrão, Vice-Reitor, natural de Fundão, Manuel Nazário Correia, natural da Salvada, Artur Pires, natural da Branca –Aveiro, João António de Almeida, trasmontano, que asseguravam a parte disciplinar e funcional da casa nas suas vertentes gerais de relacionamento e convívio social comunitário e António Maria Bento Pires, igualmente trasmontano de Bemposta, que se encarregava da gestão do economato, providenciando a logística e alimentação de toda a comunidade. Na direcção espiritual estava um padre mais idoso pertencente a uma ordem religiosa que já não recordo nem o nome do mesmo. Em breve seria substituído nas funções pelo carismático Padre Gonçalves, alentejano de Serpa.
Esta era a estrutura física e intelectual do Seminário de Beja naqueles tempos de esperanças defraudadas. Em tempo dedicaremos mais alguma atenção ao funcionamento do seminário sob o aspecto de formação moral e intelectual, (humana), dos seus alunos.
(Continua)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O Seminário de Beja visto pelo Google


Esta e a vista do Seminário de Nª Srª de Fátima, em Beja, atravès do Google, de uma altitude de cerca oitocentos metros.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

1948 (Continuação)

A Árvore da Sabedoria do Bem e do Mal, Comunicação/Informação, as Elites.
Deus é Comunicação!
Nestes conceitos se concentra a explicação de toda a evolução das sociedades humanas.
Deus não queria que o homem comesse o fruto da Árvore, mas ele comeu e aí começou todo o processo do conhecimento: o homem começou a conhecer-se, a distinguir-se da restante natureza. Tudo isto me parece simbólico, mas muito real: após conhecer-se como ser distinto, começa a comunicação consciente e aí há que explicar o desconhecido e os fenómenos incontroláveis: então surge DEUS, melhor diria, surgem os DEUSES.
Deixemos isso para mentes mais esclarecidas e detenhamo-nos na Comunicação/Informação que levará à cultura do conhecimento com as várias vicissitudes de sucessos e retrocessos através dos séculos e milénios, até atingir a contemporaneidade do ensino e do conhecimento.
No Portugal medievo o Povo, o Clero e a Nobreza, ainda não se distinguiam muito dos três grupos sociais perfilhados por Platão a saber: os servos, os filósofos e os militares; os primeiros servem, no sentido literal do termo, os segundos governam e os terceiros fazem a guerra. Fazer a guerra era muito importante para manter a identidade e a coesão sociais.
Hoje isto ainda não é muito diferente, mas não nos afastemos do caminho que desejamos. Em Portugal, como no resto da Europa, o Clero detém o exclusivo do ensino e este é reservado às elites, nomeadamente à nobreza, até surgirem as ideias liberais que levaram à Revolução Francesa e depois às actuais Democracias.
Desde as Escolas Gerais, junto às muralhas do Castelo de São Jorge, que evoluíram para a Universidade de Coimbra, até aos vários conventos e mosteiros dispersos por todo o território, cujas escolas formavam as pequenas elites locais, tudo era da Igreja.
Até que surge o Marquês de Pombal, (o mata frades), que, insurgindo-se contra o “status quo”, revoluciona o ensino e cria nomeadamente o Real Colégio dos Nobres, de que é resquício hoje o Colégio Militar, também ele elitista, mas abrindo assim uma porta ao ensino laico, que só viria a democratizar-se com a implantação da República.
É assim que em 1948 o ensino escolar público, embora já bastante implementado nas cidades principais, não chegava à maioria das crianças e jovens que sobreviviam em ambientes rurais muito adversos e distantes de tudo, as estradas mal começavam a chegar aos centros urbanos.
Com o aparecimento da rádio, a informação chega a todo o lado e as pessoas começam a "abrir os olhos". Novamente a comunicação/informação, (a Árvore da Sabedoria = Deus), faz o seu trabalho.
Paralelamente ao ensino oficial público/laico, coexistem as Escolas Confessionais/Religiosas junto dos bispados para formação do Clero, - os Seminários.
Com a abertura e difusão das escolas laicas, (ensino laico), o recrutamento para as escolas confessionais começou a escassear sobretudo nas dioceses onde o laicismo republicano estava mais implantado. A Diocese de Beja era o protótipo desta realidade.
Com um bispo novo, (José do Patrocínio Dias), e muito prestigiado, bem inserido no regime, naturalmente surgiram recursos, vindos quer de elementos locais fielmente engajados com as causas da Igreja, quer mesmo do poder central.
Depois de uma efémera, (alguns anos), passagem por Serpa, onde mais facilmente surgiram apoios logísticos, o Seminário de Beja tornara-se realidade e passou a fazer parte do perímetro e paisagem da própria cidade.
(Continua)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

1948 (Continuação)

Estava em curso a Revolução do Estado Novo. Revolução cultural, social e económica, baseada na constituição imposta por Salazar em 1933 e nos valores de DEUS, PÁTRIA e FAMÍLIA.
A Revolução do Estado Novo sucedia a um período de anarquia e desorientação generalizadas e pretendia concretizar a doutrina social da Igreja, com a criação do estado corporativo.
Se no aspecto cultural enveredou pelo caminho do dogmatismo característico dos piores tempos da Igreja e cuja pior expressão se concretizou na implementação da censura e controlo desenfreado dos meios de comunicação e estabelecimento de um índex para publicações proibidas, com o saneamento das finanças públicas foi possível verificar melhorias económicas com o lançamento de infra estruturas básicas concretizando os mais basilares anseios da população: a rede de estradas avançava pelo país e o ensino dava os primeiros passos para cobrir o país.
O ensino primário foi implantado até às freguesias, com recurso às chamadas Professoras Regentes, mas os exames da quarta classe tinham de ser feitos na sede do concelho por professores(as) devidamente habilitados. Os resultados finais eram muito limitados: recordo que, precisamente no ano de 1948, as escolas da minha freguesia eram frequentadas por um universo de cerca de 100 crianças de ambos os sexos, mas em salas separadas (2 salas):numa os rapazes noutra as raparigas. Em cada sala uma só professora regente tinha a seu cuidado quarenta ou cinquenta crianças distribuídas pelas quatro classes. A separação das crianças era feita por sexos e não por nível de evolução na aprendizagem ou classe escolar. Nesse final de ano lectivo apenas sete ou oito crianças fizeram exame da 4ª classe com aproveitamento: 3 rapazes e 4 ou 5 raparigas.
A prestação de provas de exame foi uma odisseia: deslocação para a sede do concelho a cerca de quinze quilómetros, sem ninguém a apoiar. O alojamento foi em casas de amigos ou familiares, aqueles que os tinham. Prestação de provas perante um júri pomposo e solene presidido por uma professora gorda e mal encarada de seu nome Pilar, mulher de muito respeito e temor. Passámos todos, menos o Zé Ramalho. O trabalho das regentes era muito cuidado. Nessas décadas de obscurantismo e incerteza, muito deve a sociedade portuguesa à dedicação e profissionalismo dessas heroínas que foram as Professoras Regentes: homenageio aqui a D. Vitória Gaspar, a D. Ofélia e a D: Maria Nobre Louça, as três Mestras que tive desde a 1ª à 4ª classe e que tanto me deram desde conhecimentos até ao carinho com que às vezes nos davam reguadas ou toques oportunos de ponteiro (vara comprida com que, desde a secretária, apontavam pontos importantes do quadro preto, ardósia, na parede).
Quanto ao ensino secundário as coisas complicavam-se ainda mais: a rede de liceus (liceus nacionais, chamados), apenas cobria até à sede de distrito, no meu caso, o mais próximo estava a mais de cem quilómetros.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

18 de Fevereiro -Dia de São Teotónio

São Teotónio (Ganfei, Valença, 1082 - Coimbra, 18 de Fevereiro de 1162) foi um religioso português do século XII, tendo sido canonizado pela Igreja Católica.

Formado em teologia e filosofia em Coimbra e Viseu, tornou-se prior da Sé desta última cidade em 1112. Foi em peregrinação a Jerusalém, e ao regressar quiseram-lhe oferecer o bispado de Viseu, o que recusou.

Tornou-se um dos aliados do jovem infante Afonso Henriques na sua luta contra a mãe, Teresa de Leão, dizendo a lenda que teria chegado a excomungá-la. Mais tarde, seria conselheiro do então já rei Afonso I de Portugal.

Entretanto, foi de novo em peregrinação à Terra Santa, onde quis ficar; regressou porém a Portugal (1132), desta feita a Coimbra, onde foi um dos co-fundadores, juntamente com outros onze religiosos, do Mosteiro de Santa Cruz (adoptando a regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho), do qual se tornou prior. Esta viria a ser uma das mais importantes casas monásticas durante a Primeira Dinastia.

Em 1152, renunciou ao priorado de Santa Cruz; em 1153 Alexandre IV quis fazê-lo bispo de Coimbra, o que uma vez mais recusou.

Morreu em 18 de Fevereiro de 1162, que é ainda hoje o dia em que é celebrado pela Igreja Católica. Foi sepultado numa capela da igreja monástica que ajudou a fundar, mesmo ao lado do local onde o nosso primeiro rei se fez sepultar.

Em 1163, um ano depois da sua morte, o Papa canonizou-o; São Teotónio tornava-se assim o primeiro santo português a subir ao altar, sendo recordado sobretudo por ter sido um reformador da vida religiosa nessa Nação nascente que então era Portugal; o seu culto foi espalhado pelos agostinianos um pouco por todo o Mundo. É o santo padroeiro da cidade de Viseu e da respectiva diocese; é ainda padroeiro da vila de Valença, sua terra natal.


SÃO TEOTÓNIO é uma freguesia portuguesa do concelho de Odemira, com 303,10 km² de área e 5 019 habitantes (2001). Densidade: 16,6 hab/km². Em área, a maior freguesia de Portugal, mesmo depois de lhe ter sido subtraída a freguesia de Zambujeira do Mar, aí pela década de oitenta.

São famosas as suas festas por alturas dos santos populares (mês de Junho) em que as ruas são decoradas com flores de papel e, durante a noite, têm lugar mastros. Estas festas realizam-se de dois em dois anos e, na noite de São João, cumprindo antiga tradição, os habitantes da aldeia têm por hábito engalanar os carros e dirigir-se à Zambujeira do Mar onde tomam um banho purificador.

Nos últimos anos tem igualmente sido digno de nota a realização de uma feira antiga que pretende reproduzir o ambiente vivido nesta localidade nos anos 50/60, quando nesta feira (1ª segunda feira de cada mês) acorriam os camponenses da serra para vender os seus produtos e que acabava muitas vezes em grandes sessões de pancadaria.

Segundo a lenda, São Teotónio (o primeiro santo português) teria passado por uma antiga localidade muçulmana que aqui existia e convertido os seus habitantes ao cristianismo. Embora esta explicação nos pareça hoje forçada, não se pode excluir que este conselheiro de D. Afonso henriques tenha tido contacto com estas gentes, uma vez que se defende que poderia ter participado na expedição que recolheu o corpo de São Vicente (Padroeiro de Lisboa), no promontório do mesmo nome, em Sagres. Certo é que não é conhecida outra explicação para a origem do nome desta vila.

O litoral da freguesia faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

É difícil encontrar explicção para a existência deste topónimo "São Teotónio" no extremo sudoeste de Portugal, quando a entidade em causa era oriunda do Minho, extremo norte. Mas conjugando alguns episódios e circunstâncias, talvez possamos elaborar uma teoria, no mínimo, verosimil e que dá consistência à dita lenda acima referida:
1 -São Teotónio, Prior de Santa Cruz, Coimbra, e conselheiro de Afonso Henriques;
2 -São Vicente, patrono de Lisboa, morto em Sevilha e atirado o seu corpo ao Guadalquivir, viria a ser deitado para terra no Cabo Sacro, depois São Vicente;
3 -Ali vigiado pelos corvos que em vez de o devorar o terão guardado até à sua recolha por uma expedição enviada para o efeito por Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal;
4 -Dada a íntima relação do Rei com Teotónio, nada mais natural que ter este sido incumbido da recolha dos restos mortais do dito São Vicente
5 -Vila do Bispo, qual a origem do seu nome e qual o bispo a que é dedicada aquela vila algarvia? Não teremos aqui um caso idêntico ao de São Teotónio?
6 -O pendor de viajante do Teotónio, foi duas vezes a Jerusalem, ajuda a aceitar que a sua presença quer no promontório Sacro, quer em Vila do Bispo, quer no então lugarejo onde hoje se ergue a progressiva Vila de São Teotónio, terá sido uma realidade indesmentível;
7 -Finalmente lembremos que o padroeiro de Lisboa, São Vicente, tem seus restos mortais em Lisboa, onde os corvos do brasão da cidade continuam a recordá-lo, mas a catedral da cidade espanhola de Valência, terra natal do Vicente, exibe na sua cripta, em exposição de grande dignidade, um braço que lhe terá sido doado pela Igreja de Lisboa.

A estória de o corpo de São Vicente morto,(martirizado), em Sevilha e, deitado ao guadalquivir, ter vindo aparecer no Cabo Sacro, não tem nada de sobrenatural: lembremos o que aconteceu aos corpos dos acidentados no Rio Douro, quando do colapso da Ponte Híndse Ribeiro, cujos corpos (alguns) foram dar à costa na zona de Muxia, a norte do Cabo Finisterra. De Leixões a Muxia não é menor distância do que de Sanlucar de Barrameda,(foz do Guadalquivir), ao Cabo Sacro. As correntes marítimas de sul para norte, (corrente do golfo), durante o inverno, produzem estes efeitos.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

1948

Foi um ano atípico do fim da II Grande Guerra, apesar de esta ter terminado oficialmente há cerca de 3 anos.
Portugal, país pequeno e apenas indirectamente interventivo nesse flagelo, acabou por ser um dos que mais sentiram os seus efeitos negativos, sem usufruir depois das ajudas do pós-guerra, (Plano Marshall). A economia de subsistência reinante por todo o território nacional, mantinha um povo rural e analfabeto nos limiares da miséria, temos de reconhecê-lo. Os benefícios da civilização andavam muito arredados e os governantes, ou por falta de recursos ou por opção política, como muitas vezes terá acontecido, não aceleravam os meios de acesso ao progresso: fechados num isolamento saloio, os portugueses viravam-se para uma tentativa de independência económica, (campanha dos cereais, indústria incipiente e apoio a uma frota mercante e pesqueira que mal satisfazia as necessidades primárias das maiores cidades, à custa de vidas perdidas na pesca do bacalhau).
Lembro-me de umas quadras que se cantavam então:
"O bacalhau não há
Arroz, feijão não há
batata e grão não há
Só apetite sim, isso é que há."
As comunicações, (estradas), e o ensino estavam no início da chamada "revolução do Estado Novo", uma revolução virada para o umbigo que não levaria longe e cêdo se revelaria insuficiente e até retrógrada, no aspecto cultural porque baseada na castração política dos cidadãos a quem era negado o acesso aos meios de comunicação e informação livres, (censura e index de livros proibidos, por exemplo).

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Editorial - Apresentação

Este Blog vai ter dois planos no tempo: no primeiro serão considerados, tão cronologicamente quanto possível, os acontecimentos passados desde 1948, (Outubro), pelo gestor e seus contemporâneos; no segundo serão referidos os anos da saudade e sua evocação, (encontros periódicos e eventuais).
Espera-se a colaboração de todos, nomeadamente nos comentários aos posts,(escritos ou sob outra forma de expressão), que forem sendo produzidos.