quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Última quarta feira de Novembro

Uma tarde chuvosa de fim de Outono obrigou a alterar o local de encontro.
Por sugestão e control telegénico do Mata, todos compareceram directamente no "Baleal".
Além do referido Mata e seu/nosso amigo Fernandes, estiveram presentes o Guilhoto e o Latas, o Xico Acabado e o Robalo, o Noca e o Lourenço e finalmente o Xarrama e o Silva Pinto. Isto dito assim, para respeitar a ordem de ocupação da mesa contando da esquerda para a direita, para quem estivesse de costas para a parede longitudinal mais próxima.
Consultado o cardápio e escolhidos os pitéus, (a maioria foi no "polvo à lagareiro"), e escolhidos os vinhos: um jarro da casa, tinto, outro de branco à pressão, o Latas optou por um tinto da talha, que não dispensa, entrou-se propriamente no convívio comensal, (de mesa e mês, como quiserem).
A primeira abordagem foi para lembrar a ida a Coimbra no mês anterior, congratulando-se todos pelo modo como tudo decorreu, ressaltando especialmente a recepção que nos foi dispensada pela São e pela Marília, como expressivamente consta de posts anteriores referentes a esse evento.
O Guilhoto, especialista em relações sociais, redigiu uma expressiva mensagem que, depois de aprovada pela assembleia presente, seguiu por SMS, para aquelas duas amigas que nunca esqueceremos.
Ficou combinado que me seria enviada cópia desse SMS e da eventual resposta, para serem publicadas neste blog.
Os temas de conversas foram diversos, convindo realçar uma proposta para alterar o local de concentração sobretudo para os dias chuvosos como o de hoje, não tendo ficado nada decidido em definitivo, parecendo que o melhor é mesmo continuar sem alteração ou ser alterado "ad hoc", quando as circunstâncias o impuserem: os telemóveis servem para acertar alterações de última hora.
Passou-se depois ao lançamento de projectos futuros de deslocação do grupo, ficando já decidido que em Janeiro, o encontro será no mesmo local e então se resolverá a ida a Castelo Branco em Fevereiro que, segundo opinião expressa pelo Robalo, é o melhor mês, (não sei porquê), para visitar aquela cidade. A ida ao Porto ficará para um mês mais quente, lá para Abril ou Maio, depois se verá.
Como as condições atmosféricas o não permitiram, nem houve passeio peripatético pela baixa pombalina, continuando a cavaqueira por mais algum tempo e saindo dali todos para os respectivos destinos.
Em Dezembro, por causa do Natal, aparecem sempre menos pessoas, por isso não haverá referência neste blog a esse possível encontro. Pelo menos não há esse compromisso.
Aguarda-se o contacto do José Guilhoto para publicar o SMS enviado para Coimbra.
SMS enviado: "Nosso 1º encontro após Coimbra, gr. Amigos Catarino relembram vossa simpática recepção nossa ida Coimbra. Cumprimentos e Bom Natal!"
SMS recebido: "Mta bondade vossa! Nos procurámos receber-vos como o meu krido marido faria. + 1 vez reiteramos a nossa gratidão pr td carinho c k nos brindaram. Bjo da São e da Marília".

domingo, 1 de novembro de 2009

SER ALENTEJANO

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que, à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.
O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade; Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras, um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.
Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia, para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que, para o homem comum, fica muito longe, para um alentejano, fica já ali. Para um alentejano, não há longe, nem distância, porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.
Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»
Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.
E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.
Mas, para que uma pessoa se ria de si própria, não basta ser ridícula, porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.
Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as.
E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.
Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor. «Isso queria eu, mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano. «Então por que é que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava... mas com quem?»
Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?
Obs.: Texto enviado por um amigo, Alentejano, claro.

Um pouco de humor, não faz mal a ninguém!

A propósito de Santa Clara a Velha lembrei-me desta quadra muito antiga certamente.
"As freiras de Santa Clara
Quando vão rezar o Côro
Dizem umas para as outras:
Quem me dera o namoro!"
Autor desconhecido.