terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ainda o "FREI BERNARDO"

Tenho-me deliciado a ler e reler a bela obra do Antonino. Quanto mais releio, mais referências interessantes encontro. Aquilo não é uma auto-biografia, mas antes uma multi-biografia.
Quantos não se revêem naquelas referências oportuníssimas às praias da Costa Alentejana, às planícies floridas na Primavera e agrestes na invernia, aos vinhedos serranos e suas quintas, etc, etc, etc...? Não refiro já o encadeamento da estória e as belíssimas composições literárias que o autor coloca na boca dos personagens, com a maior oportunidade.
Quero apenas relembrar, por analogia vivida, um episódio ou dois, dos tempos das Praias Alentejanas.
Penso que foi no primeiro ou segundo ano que ali passámos um período de férias: ainda vivia o célebre ex-combatente da G.G., poeta popular em Vila Nova de Milfontes, o saudoso Almada, e nós ficávamos alojados numa casa da rua principal da vila, mais ou menos a meio, do lado direito e que tinha umas janelas ovais no piso superior.
Ainda não havia o Colégio de N.S. da Graça, onde mais tarde nos recolheríamos com o conforto possível e higiene adequada.
Mas vamos às estórias: depois do almoço e da sexta tradicional e obrigatória, como bons alentejanos, seguia-se uma ida à praia. Ali pelas dezassete e tal, um de nós era destacado para deixar a praia e ir tocar o sino da igreja matriz, chamando os fiéis para o terço das dezoito horas.
Não havia voluntários, (todos preferiam continuar mais um pouco na praia).
Um dia calhou-me em sorte ou por nomeação desempenhar a tarefa, no caso pouco simpática, e lá fui. Teria então os meus 15 ou 16 anos.
Na igreja, decorria uma sessão de catequese, ministrada por uma adolescente, de seu nome Maria da Graça, que eu conhecera dois ou três dias antes por ocasional encontro em sua casa, onde fora entregar uma lembrança de que fora portador, dirigida a sua mãe, D. Mariana Neves Dimas, por uma senhora daquelas que substituíam o padre na igreja e ensinavam catequese na minha aldeia, uma tal D. Maria Joaquina, verdadeira causa da minha ida para o seminário.
Ao entrar na igreja, deparei com a Maria da Graça, (Gracinha), e os nossos olhares cruzaram-se fugidíos, mas ao subir as escadas de acesso à torre sineira havia uma abertura a meio que permitia ver para o interior da igreja e aí novos olhares se trocaram, agora acompanhados de um sorriso cúmplice. Que lindos olhos quase tímidos se escondiam por detrás de uns cabelos fartos, cor de mel, caindo em caracóis e cobertos por um véu alvinitente!
Era o diabo que se mostrava naquela figura frágil, mas infinitamente bela!
Também já terão percebido que começou a haver um voluntário para ir todos as tardes tocar o sino, deixando de gozar as delícias da praia.
Mais tarde, ou seja, uns dias depois, penso que um domingo, ocorreu um passeio de barco a remos, até ao Moinho da Asneira e volta, aproveitando as marés, para facilitar o esforço dos remadores.
A dada altura do passeio cruzámo-nos, ou melhor, passou por nós um barco a motor, barco de recreio, que, na altura, ainda era coisa rara no rio Mira. Era o filho do Dr Águas, personalidade importante da vila, que levava a passear um grupo de jovens, entre os quais a Maria da Graça, cuja presença me despertou imediatamente a atenção: -será que namora com o filho do Doutor? Certamente que sim! - pensei.
Ao cruzarem-se as embarcações e quando iam mais próximas, a Maria da Graça atirou uma maçã, (ou pêro), para o nosso barco, que eu tive a destreza e a felicidade de apanhar.
Imaginem-se nesta situação, na época e ambiente em que vivíamos e analisem bem: aquilo não era mesmo o diabo a tentar? Agora era uma autêntica Eva a dar a maçã ao Adão!
Resumindo e concluindo: "NUNCA CHEGUEI A FALAR COM A MARIA DA GRAÇA!"
PS. Nem a D. Maria Joaquina, especial protectora da minha "vocação sacerdotal", sonhava que em vez de me proteger através da sua amiga, a quem por mim enviara uma lembrança e certamente recomendação de vigilância discreta sobre o meu comportamento, nem ela sonhava dizia, que me estava precisamente a apresentar ao Inimigo, ao perigosíssimo demónio tentador pela "carne". Ela, D. Joaquina, que era uma celibatária ou "corina", como diria um amigo meu, já se antevia na posse de um sacerdote seu protegido, que lhe havia de salvar a alma.
Esta senhora e mais duas irmãs, igualmente corinas, vituperaram a minha pobre e desprotegida Mãe, quando da minha saída do seminário, acusando-a de não me ter defendido suficientemente dos perigos e tentações que me levaram à desistência.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

1948 (Continuação)

A seguir vou publicar uma série de fotos, mais ou menos por ordem cronológica, relativas a algumas actividades ou momentos da vida naquele Instituto de Ensino que tanto nos deu.


Formação em coluna por dois, constituída pelos alunos do 1º ano do ano lectivo de 1948/49

Grupo dos "Pequenos" em 1948.Fila de cima da esquerda para a direita: Tomaz, Noca, Guerreiro de Entradas, Gonzaga Caria, desconhecido, Aparício, 4 desconhecidos, Proença, Xico Zé, desconhecido, Virgílio (de Saboia) e Pina (um gordito). Na segunda fila: Zé Maria Assunção (Monitor), Pereira de Carvalho, Bebiano e desconhecido. Em baixo sentados: Fatela, desconhecido, Bossa, Luzia e outros desconhecidos .

Um grupo semelhante ao anterior, e no mesmo sítio, junto ao recreio dos "Pequenos"



De bicicleta na estrada de São Matias, junto a uma quinta, onde íamos comprar laranjas.




Bicicleta alugada para o passeio: Bebiano, Tomaz, Noca (Nobre Campos) e Gonzaga Caria


Duas equipas de futebol dos "Pequenos", vendo-se em fundo o edifício dos correios de Beja, na altura o mais alto de toda a cidade, além do castelo.


Cena de teatro, numa festa de fim de ano de 1947

1954; Elementos (actores) de uma peça de teatro sobre D. Miguel: Rolim, Sousa (Haio), António Zé, Alberto (Escudeiro), Noca (D.Miguel) e Rui (Escudeiro).

O Haio e o Príncipe

segunda-feira, 21 de julho de 2008

SURPRISE!!!...

Foi uma agradável surpresa! Ao regressar hoje, de alguns dias de ausência, tive a agradável surpresa de ver dois coments no meu último post.
Obrigado Anónimo pelo teu apoio e pela tua prestimosa colaboração. Nem todos os casos terão sido iguais, certamente que não, e cada um reage às situações de sua maneira, mas o teu testemunho é muito valioso.
Aguardemos que outros se manifestem e digam de sua justiça. Cá estaremos para os receber com a mesma cordialidade.
Um grande abraço!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Apêlo aos leitores

Isto será do calor ou é mesmo um "deserto"?
Refiro-me à ausência de comentários. Não acredito que ninguém visite este blog.
A verdade é que os nossos "ex", estão mesmo a ficar, não direi analfabetos, mas auto-excluídos, quero dizer incapazes de utilizar os novos instrumentos tecnológicos ao dispôr.
Até no grupo, não muito numeroso é certo, dos que se encontram mensalmente em Lisboa, não se encontra grande eco. Senão vejamos o que aconteceu em Maio, mês em que não pude comparecer e pedi que me enviassem uma cronicazinha do evento para colocar no blog. Pois não houve uma alma audaz que se propuzesse a enviar a almejada crónica.
De vez enquando visito o sitio da Lasb e tambem não vejo nada que mereça a minha admiração a não ser a ausência de intervenções: já desisti de intervir ali.
Apresenta agora umas fotos da apresentação do Frei Bernardo, mas não faz qualquer comentário ao livro ou ao seu autor.
Não seria oportuno fazer uma crítica à obra? Provavelmente o seu autor agradeceria, mesmo que o desancassem.
Dava-se-lhe oportunidade de se justificar!
A Vida (Deus), é Comunicação ! Pensem nisto!!!
Sem Comunicação, não há Vida!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Última quarta Feira de Junho

O pessoal é mesmo assim. Apesar das fracas previsões, compareceram as pedras basilares deste grupo de amigos que gosta de conviver.
Quando cheguei já lá estavam quase todos: O Robalo e seu companheiro Fernando, (Matateu), o Latas, que o Presunto queria que fosse Pratas, o Anjos Guilhoto, (que ele queria sem Guilhoto, porque o Guilhoto dos Anjos deve ser uma coisa pouco recomendável), o Acabado, sempre sircunspecto e o Contreiras, o aventureiro dos céus que passava de avião por baixo da Ponte da Chamusca, quando vinha namorar para Lisboa, nos bons tempos de Tancos. O Mata e o Silva Pinto chegaram depois.
A primeira grande decisão foi escolher o local do repasto. Sim porque nunca se sabe antecipadamente o local para evitar alguma armadilha, neste tempo de incerteza e angústia.
O Baleal não, porque não gostámos na última vez que lá fomos. Deram-me a escolher, e sugeri o Bessa! Pronto tá dito, vamos ao Bessa. -Eu vou à frente que sei onde é, disse. E todos me seguiram à ordem de voz: Sigam-me!
O Bessa não serviu mal e não castigou muito. O ambiente serve. Voltaremos lá na próxima ou noutra ocasião. Sim, porque nunca se sabe onde vamos cair...
Mas ali tá-se bem e dá para discutir temas acalorados como a figura do cúmulo jurídico aplicável, no caso actual, ao Vale e Azevêdo, que se repimpa na city, sem que alguem lhe pessa contas.
O Contreiras estava contra e o Guilhoto, com mais conhecimento de causa, estava pró.
Sentimos falta do Pai do "Frei Bernardo", nosso "sobrinho adoptivo", o Frei, para lhe, ao Pai do Frei, manifestarmos a nossa solidariedade e admiração. Fica para a próxima...

Almoço de grupo

Última quarta feira de Junho. Não contatei ninguem. Será que vão comparecer os indefetíveis?
Depois se verá. Há os que não desistem por nada deste mundo! Os carolas...

Nota: Repararam que já uso o novo acordo ortográfico? Não é nada difícil, mas às vezes ainda me distraio e escrevo à antiga, embora goste da novidade, sobretudo quando facilita.
O Português é muito rico porque procura ser conservador ao mesmo tempo que recolhe as influências de muitos povos diferentes e os falares mais díspares.
Se não fosse a evolução linguística ainda hoje falaríamos latim. Uma maçada!!!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

21 de Junho - Solstício do Verão

O Verão em Beja! A canícula aperta e faz tremer o horizonte. O ar sêco impede a respiração.
Os alentejanos aproveitam para cantar:
"Alentejo nã tem sombra
senão a que vem do ceu
abriga-t'aqui menina
debaxo do mê chapeu".

E o alentejano mais sábio e experimentado ao entrar na sua casinha de terra batida, desabafa com a companheira:
" Nã há sombra cm'à de paredi!!!!"

Nós que ali passámos alguns solstícios, não podemos esquecer os "calores" que antecediam e coincidiam com a época de exames.

E que saudades, meu Deus!!!