domingo, 1 de novembro de 2009

SER ALENTEJANO

Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que, à semelhança do Homem Português, fugiu de Espanha à procura do mar.
O Alentejo molda o carácter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade; Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve de refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras, um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo, um homem consegue ver ao longe.
Mas foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas, sem conseguir chegar à Índia, para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar com o peso de um empreendimento daquele vulto. Aquilo que, para o homem comum, fica muito longe, para um alentejano, fica já ali. Para um alentejano, não há longe, nem distância, porque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi, por esta razão, que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: «Não, é já ali.». O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina.
Para um alentejano, o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se decide pela quantidade mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhóis e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia-dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo com o argumento da desproporção numérica: «Vocês são muitos? O que é que isso interessa se os alentejanos estão do nosso lado?»
Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente dos mais simples prazeres da vida. Por isso, se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois, teve de fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa, um alentejano nunca tem pressa. Daí a resposta de Eva a Adão quando este, intrigado, lhe perguntou o que é que o alentejano tinha que ele não tinha: «Tem tempo e tu tens pressa.» Quem anda sempre a correr, não chega a lado nenhum. E muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque os alentejanos e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.
E até nas anedotas, os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso, ao mesmo tempo que servem de espelho a quem as ouve.
Mas, para que uma pessoa se ria de si própria, não basta ser ridícula, porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos topo de gama.
Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem sentido de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvice diminui-as.
E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de síntese notáveis.
Não resisto a contar a minha anedota preferida. Num dia em que chovia muito, o revisor do comboio entrou numa carruagem onde só havia um passageiro. Por sinal, um alentejano que estava todo molhado, em virtude de estar sentado num lugar junto a uma janela aberta. «Ó amigo, por que é que não fecha a janela?», perguntou-lhe o revisor. «Isso queria eu, mas a janela está estragada.», respondeu o alentejano. «Então por que é que não troca de lugar?» «Eu trocar, trocava... mas com quem?»
Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas há melhor iguaria do que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. E é o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou no fim da semana. Só quem come o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quente de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de Inverno, dou graças a Deus por ser alentejano. Que maior bênção poderia um homem almejar?
Obs.: Texto enviado por um amigo, Alentejano, claro.

Um pouco de humor, não faz mal a ninguém!

A propósito de Santa Clara a Velha lembrei-me desta quadra muito antiga certamente.
"As freiras de Santa Clara
Quando vão rezar o Côro
Dizem umas para as outras:
Quem me dera o namoro!"
Autor desconhecido.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Uma simples homenagem

Como remate da nossa visita a Coimbra aqui fica a fotografia da nossa primeira anfitriã, a São, como quer que a tratemos, por nos considerar seus amigos, o que muito nos orgulha.
Em representação de todos os companheiros e amigos que tiveram o previlégio de usufruir da recepção que nos fez no dia 28 de Outubro de 2009, em Coimbra, aqui lhe rendo a minha homenagem e preito de admiração, como mulher forte que é, com os agradecimentos de todos, pelo modo como fomos recebidos.
Muito obrigados, e até uma próxima oportunidade, que esperamos seja breve!

Ainda e sempre Coimbra

Fotos cedidas pela nossa anfitriã Drª Marília Bacanhim a quem endereço os meus agradecimentos.

Durante a travessia da Ponte Pedonal sobre o Mondego o Lourenço não se cansou de referir pontos importantes e que lhe eram familiares por ali ter passado alguns anos, de juventude.

A meio da ponte fez-se a fotografia de grupo

Este é o Pavilhão de apoio ao sítio arqueológico de Santa Clara a Velha. Ali funciona um auditório, várias salas de exposições e o Centro de Interpretação do "sítio".

Ainda a propósito de Coimbra - A Tricana e os Ursos

O progresso não perdoa. O Programa Polis, em Coimbra, criou espaços muito bonitos e funcionais – é uma delícia passear pelas margens do “Basófias”, agora dominado e transformado num espelho de água permanente. Pena é que o civismo de alguns e a incúria de outros, refiro-me aos serviços camarários, permitam a conspurcação daquelas águas límpidas que vem da nossa serra mais alta, a Estrela. Carrinhos de super-mercado contei uma boa meia dúzia, deitados ao rio. Uma pena! Só que a beleza natural é tanta que, por mais barbaridades que façam, não a conseguirão destruir.

Onde dantes havia Tricanas, nas margens do Mondego, cantadas pelos poetas mais representantivos do nosso cancioneiro, está agora um Urso verde, de plástico claro.

A Tricana, essa foram colocá-la numa rua íngreme, quase inacessível, da zona histórica da cidade, ali mesmo ao pé da Sé Velha, onde outros "ursos" se deixaram fotografar a seu lado.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Fomos a Coimbra, pois fomos!!!

E saímos cedinho porque a jornada era longa, digamos mais longa do que o habitual, mas o Alfa torna tudo mais próximo e por isso tivemos de obedecer aos horários da CP.
Alguns levantaram-se às seis e apressaram-se nos atavios para às oito em ponto estarem em Santa Apolónia, estação de origem do percurso, estimado em hora e meia de duração.
E lá estavam todos os que deviam estar, pois que outros foram para o Oriente, por comodidade e conveniência próprias relativamente às áreas de residência.
O Dr José dos Anjos, encarregara-se da logística de aquisição dos bilhetes e estabelecimento dos contactos com a nossa anfitriã em Coimbra a Drª Maria da Conceição, ("São" para os amigos).
Convém talvez dizer o porquê de ser uma senhora a nossa anfitriã e aí vai a explicação: era nosso objectivo, quando da programação da ida a Coimbra, encontrar o Companheiro Manuel dos Santos Catarino que sabíamos residir naquela cidade. Ao estabelecer os contactos preparatórios, o Guilhoto, nosso homem da logística e relações sociais, foi o primeiro a ser surpreendido pela notícia do falecimento do Manuel Catarino, ocorrida há pouco menos de um ano devido a doença fulminante que o acometeu. Perante tão infausta notícia, a primeira reacção foi de anulação do projecto de ida a Coimbra, mas a São, (Drª Maria da Conceição, viúva do Manuel Catarino) fez questão de que tal não acontecesse, insistindo que mantivéssemos o projecto porque ela própria e a Filha mais velha, Drª Marília, seriam as nossas guias e acompanhantes na visita que quiséssemos fazer à cidade. Surgiu assim um novo motivo para a ida a Coimbra: homenagear a memória do nosso antigo Companheiro e Amigo!
E assim, às oito horas precisas do dia 28, o Alfa Pendular para o Porto sai de Santa Apolónia transportando na carruagem do Bar, o grupo de amigos que se completou na Estação do Oriente, ao todo onze elementos, a saber: Antonino Mendonça, Jacinto Latas, Anjos Guilhoto, Lourenço,(um out-sider que não dispensa a nossa companhia e nós a dele), Contreiras, Manuel Túbal, Francisco Acabado e Nobre de Campos, embarcados em Santa Apolónia, e depois o Robalo, o Mata e o Fernandes, (outro out-sider que preza a nossa companhia), que entraram no Oriente.
O Jacinto Latas e o Xico Acabado
O Contreiras e o Túbal
O Antonino Mendonça e o José dos Anjos Guilhoto
O Latas e o Campos (Noca)
À chegada a Coimbra-B aguardava-nos a Drª Maria da Conceição, "a São", a partir de agora
Aspecto do grupo progredindo na plataforma da estação de Coimbra-B
O grupo todo a meio da ponte pedonal sobre o Mondego
Depois de apreciarmos a beleza da cidade, já conhecida, e agora enriquecida pelas obras do Programa Polis que foi concretizado nas margens do Mondego, (antigo Basófias, mas hoje um espelho de água que permite a prática de desportos náuticos de toda a ordem), atravessada a Ponte pedonal, deparou-se-nos o Convento de Santa Clara a Velha, monumento romano/gótico que remonta ao século XIV cujas ruinas se encontravam sepultadas no lôdo das margens desregradas do Mondego e que, após os trabalhos de regularização dos caudais e consolidação das margens do rio, foi possível reerguer, numa acção de recuperação arqueológica digna dos maiores encómios. Foi mesmo atribuído um dos prémios mundialmente mais famosos aos arquitectos e arqueólogos, responsáveis por tão completa e rigorosa reconstituição, que ainda está em marcha.
A São e o Noca com Santa Clara em fundo
Aspecto mais esclarecedor do que ainda falta recuperar da parte conventual
O Fernandes e a Drª Marília no interior da igreja conventual


Ábside e colunas suporte da cúpula inexistente
Outro aspecto da ábside
Terminada a visita ao Convento de Santa Clara a Velha, seguiu-se o almoço num restaurante à beira rio, onde nos foi servida uma fritada de peixe acompanhada de um bom Douro da Casa.

Ementa do Restaurante/Cervejaria "A Portuguesa"
Aspecto da mesa presidida pela São
Outro pormenor em que o Mata está mais entusiasmado e o Fernandes sempre fotogénico
O Fernandes e o Antonino, ambos no seu melhor
Aqui, o Latas e o Xico Acabado estão bem dispostos, como sempre

Do outro lado da mesa o Túbal, o Guilhoto, o Robalo e O Lourenço consultam o cardápio
Terminado o almoço, fomos para a baixa da cidade embrenhar-nos na cultura daquela histórica urbe. Começamos por Santa Cruz, onde admirámos e recordámos o nosso primeiro rei, Afonso I, que ali está sepultado.

Seguiu-se São Teotónio, também ali venerado, como Primeiro Prior de Santa Cruz, que foi.
Admirámos o púlpito de João de Ruão, obra única e inigualável
Depois na Sé Velha, pudemos ver o estilo românico, na sua expressão mais pura
E esta concha gigante que serve de Pia de água benta
Vimos ainda a casa onde viveu Zeca Afonso, enquanto estudante, mesmo ali frente à Sé Velha.
Comprados os souvenires para as nossas jovens esposas e feitas as despedidas da nossa guia que tão simpaticamente nos recebeu e acompanhou durante todo o dia, foi tempo de regressar.
Pelas 18H28 saimos de Coimbra-A e às 18H45 precisas saímos de Coimbra-B no Alfa Pendular rumo a Lisboa. Foi uma jornada muito preenchida e agradável para todos os que nela participaram.
Nota final: É oportuno fazer aqui duas referências especiais:
A primeira à Drª Maria da Conceição, "São", e à filha Drª Marília, pela simpatia, diria até carinho, com que nos receberam - o nosso muito e muito obrigado, bem à portuguesa!
A segunda é ao nosso relações sociais e promotor da logística, o Dr José dos Anjos Guilhoto, que foi incansável no tratamento de todos os pormenores para que tudo decorresse bem, como decorreu. Nem se esqueceu de uns saborosos pastéis de Belém para quebrar o jejum dos mais incautos. Um abraço, Zé, que penso ser de todos, e até à próxima, provavelmente ao Porto.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vamos a Coimbra? Vamos!!!

Depois de uma aplicada logística a cargo do Guilhoto, está tudo nos carris para que a nossa visita à Cidade dos Estudantes seja uma realidade interessante.
O Alfa Pendular das 08H00, Santa Apolónia, será o transporte confortável que nos levará até Coimbra-B, onde chegaremos pelas 09H30. Seguir-se-á uma visita a pontos interessantes da cidade e depois um almoço de convívio, em restaurante que as nossas anfitriãs, (a viúva e a filha do malogrado Catarino, entretanto falecido), nos indicarão com a maior generosidade.
A elas os nossos agradecimentos antecipados.
Esperamos que seja uma boa jornada! Até lá!