sábado, 4 de fevereiro de 2012

Qual o futuro dos nosos netos?

No Future



«Quase quatro décadas depois do movimento "punk" dos Sex Pistols e do seu "No Future", os portugueses chegaram finalmente à mesma conclusão. Isto não tem mesmo futuro. Onde "isto" é a nossa sociedade, o nosso país, a nossa vida.

Não o fazem por via do radicalismo cultural, que por cá nunca existiu, mas porque, para além de lhes faltar dinheiro no bolso, perderam qualquer perspetiva de futuro. Os jovens estudantes não sabem se uma vez terminado o curso conseguirão arranjar trabalho; os empregados não sabem por quanto mais tempo o serão; os que descontaram toda a vida não sabem se ainda irão receber a reforma; os doentes não sabem se o Hospital continuará a tratá-los ou se, por falta de verbas, os deixará morrer; os pais olham para os filhos e temem pela sua sorte. E não ficamos por aqui. Uns dizem que o Euro vai acabar, outros que é a própria Europa que tem os dias contados. Alguém sugere que Portugal soberano já deixou de existir pois é governado por uma troika. O próprio Passos Coelho, para animar, aconselha os portugueses a partir, se possível, de vez. Enfim, "sem futuro" é o hino do Portugal de 2012.

E, no entanto, acreditar no futuro é fundamental para a sociedade em que nos calhou viver. Alguns dizem que é uma forma de crença como outra qualquer. Talvez, mas é mais do que isso. O futuro, mais do que o passado, é uma parte essencial do nosso presente. O passado é memória, património, venera-se na ilusão de que existem identidades imutáveis. A realidade é, porém, diferente. As identidades são dinâmicas e estão em permanente transformação. Mesmo na nossa vida. Ontem fomos filhos, hoje somos pais. Que mudança radical de identidade! Ontem Portugal foi um país fechado e rural, hoje estamos no mundo e ou fazemos parte da conversa ou estamos perdidos.

Porque, como disse, o futuro é parte constituinte do nosso presente. Estuda-se para ter futuro. Investe-se para garantir um rendimento no futuro. Cria-se para fazer já hoje o que, de outra maneira, só seria possível amanhã. Um empresário pensa no que é que as pessoas gostariam de ter e ainda não têm. Um político afirma-se pelo que diz ir fazer se for eleito.

Mas o futuro está presente também de outra forma. Vivemos na sociedade das novas tecnologias. E são novas também porque integram em si a sua própria superação. Ou seja, são tecnologias evolutivas. Um programa de computador nunca está finalizado, é um "work in progress". Logo à partida sabe-se que a seguir ao 1.0 virá o 2.0. Esta constante mudança está no seu código genético.

O que significa que tudo muda, a arquitetura, mas também o uso. No curto espaço das nossas vidas quantos sistemas operativos, quantos telemóveis, quantas funcionalidades e "gadgets" não nos obrigaram a sucessivas e constantes adaptações? E quanto mais se muda mais se promove a mudança.

Pensar que se pode parar este movimento, imaginar, como faz este governo, que temos agora dois ou três anos de estagnação e empobrecimento, e depois tudo regressa ao normal, é não só alimentar uma tremenda ilusão, como não perceber nada do mundo contemporâneo. Esta é uma corrida implacável. Que o digam tantas e tantas empresas que não se modernizaram e simplesmente faliram. Que o digam todos aqueles que pensaram que não iam perder tempo com computadores, internets e outras modernices e hoje são perfeitos analfabetos.

Enfim, Portugal está em recessão económica e está em vias de regredir como civilização. O desprezo governamental pelo ensino, pela cultura, pela ciência e pela inovação, que aliás se imagina ser um mero slogan, está a impedir o país de existir no seu próprio tempo. Mas é o desprezo pelas pessoas que configura o maior desastre.

Não existem dados estatísticos mas vários investigadores da área afirmam que a emigração de quadros, vulgo "cérebros", é enorme. Aos milhares. Não estamos já a falar de "malas de cartão" e trolhas para a construção civil na Europa, mas de engenheiros, arquitetos, cientistas, que vão deixar o país num verdadeiro estado de penúria no campo da inteligência. Ou seja, Portugal está a ficar cada vez mais estúpido. Objetivamente sem destino nem futuro.» [Jornal de Negócios]



Autor:



Leonel Moura.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Baleal, 25 de Janeiro de 2012

Apesar da crise, ou por causa dela, sabe-se lá, compareceram ao almoço da última quarta feira do mês corrente nove, (9), convivas animados e conversadores, a saber: Robalo, Jacinto Latas, Jacinto Xarrama, Zé da Ponte, Martins Mata, (Matita), Xico Acabado, Silva Pinto, Fernandes e finalmente este vosso bloger, o Noca.
Porque as condições meteorológicas nesta época do ano apresentam temperaruras baixas e as preciosas saúdes de Saus Excelências, nesta fase das mais que preciosas vidas já apresentam algumas debilidades, resolveu-se, de moto próprio e sem qualquer acordo prévio, fazer a concentração diretamente na Cervejaria "O BALEAL".
Quando cheguei já ali se encontravam o Robalo e O Latas. Depois foram chegando o Zé da Ponte que, por um triz não me pregava a partida de se apresentar como um desconhecido, mas que adrede reconheci. Depois apareceu o Mata, logo seguido do Silva Pinto e do Xarrama, depois o Fernandes e finalmente o Acabado, que ocupou a cabeceira da mesa.
Consultado o cardápio e feitas as repetivas opções e escolhido vinho, (hoje todo "da casa", devido à crise), entrou-se no convívio informal distribuindo-se os assuntos conforme surgiam nas mentes de cada um, ora recordando estorietas do passado, ora discutindo acaloradamente as prevalências entre o Barça e o Real: o Xarrama é pelo Real e o Acabado Pelo Barça, vá-se lá saber porquê.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Última 4ª Feira de Setembro

Foi ontem e parece que já há uma semana. Apareceram sete convivas a saber: Jacinto Latas, Jacinto Xarama, Zé Zontreiras, Noca, Acabado, Matita e Robalo. A conversa foi muito animada e variada, respigando vários assuntos desde o momento político, apenas aflorado, passando por recordações e vivências passadas, até ao indispensável futebol, em que a rivalidade entre Real e Barça ocupou a maior parte do interesse, associada à rivalidade entre Guardiola e Mourinho , em que os especialistas Xarrama e Acabado nos deliciaram com seus altos conhecimentos sobre aqueles clubes e treinadores.


A propósito de futebol, o Acabado apresentou as três fotos que se seguem sobre a época aurea daquela prática desportiva no Seminário de Beja que coincidiu com a expansão das décadas de cinquenta e sessenta. Depois viria a decadência até à situação atual em que os seminários estão quase sem frequência.




Esta foi uma das equipas mais expressivas da capacidade desportiva de todos os tempos do seminário. Da esquerda para a direita temos de pé, um militar do R.I.3 e depois o Canilho, o A. Pires Soares, o João Diamantino, o Ribeiro, o Bento Pires e o Rolim; em baixo temos o professor de ginástica - oficial do R.I3, o Virgílio, o Noca (Campos), o Camacho, o Sobral, o Carlos Bernardo e outro militar do R:I:3, adjunto do professor de ginástica.


Está enquadrada pelos alunos mais novos que admiravam e aspiravam ser bons jogadores e vir a integrar a equipa principal. Na foto figuram três elementos do R.I. 3, a saber: no canto inferior esquerdo o professor de ginástica e no canto superior esquerdo e inferior direito dois elementos auxiliares do referido professor que duas vezes por semana vinham ministrar aulas de ginástica no seminário.


Esta era a equipa do R.I.3 que também levou para contar, perdendo por um score menos expressivo do que a do Liceu, mas de qualquer maneira foi uma boa derrota.




Outra equipa que deixou marca muito assinalável um ano ou dois mais tarde e que era constituida, como se vê, pelo Guardado, o Fausto, o Manuel Alves, o Rolim, o António José e o Olímpio,(Gonçalves do Cabo); e no plano inferior o Virgílio, o Acabado, o Noca (Campos), o J. Pires Soares e o Jorge.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mais umas fotos por acaso

Em 1953, após a inauguração do Campo de Futebol de onze, do qual uma baliza se vê na foto, tiveram lugar alguns encontros de futebol com equipas do exterior, nomeadamente com o Exército,(Infantaria 3) e com o Liceu DIOGO DE GOUVEIA, (Liceu de Beja).




As duas fotos abaixo documentam o jogo com o Liceu: resultado 5-1 a favor da equipa do Seminário











Equipa do Seminário de Beja em 1953, da esquerda para a direita, em pé: Ribeiro, Canilho, Fausto que deveria ser um génio para já estar entre os grandes, João Diamantino, Jorge e Rolim; em 1º plano: Carvalho, Virgílio, Noca (Campos), Sobral e Pires Soares.






A equipa do Liceu era muito bem constituída por onze jovens da Mocidade Portuguesa, como se vê pela foto. Levaram só cinco para não serem muito castigados!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Uma foto por acaso

Alguém conhecerá esta gente! Tem todos mais de sessenta anos e são bons rapazes!


Vai conforme a recebi para não alterar nada do original.

Última 4ª Feira de Junho


Olá companheiros, apetece-me dar-vos uma tareia, então agora é assim, já estão tão caquéticos que até este almoço se esquece ou pior ainda, se menospreza?


Segundo me disseram, o mês passado eram 6 e hoje apenas 5, INACEITÁVEL.


Para compensar tivemos a surpreendente presença do José da Ponte, empresário há bastantes anos, creio que do ano do Noca, Zé Anjos/Guilhoto etc. Já não me lembrava dele pois era de 2/3 anos antes, porém trata-se de ex-colega simpático e colaborante, envio o mail dele como lhe dou conhecimento pela mesma via, dos vossos. Façam favor de mailar. Ele declarou-se receptivo a entrar no nosso carrocel. Alem dele, estavam o Acabado, o Charrama, o amigo do Charrama este vosso criado. Que pobreza de reformados.


O almoço foi animado, falámos muito dos tempos de antanho, do encontro do Seminário em Maio e só saímos depois das 15h. O meu almoço foi jaquinzinhos de 2 polegadas, conhecem? Tive o cuidado de medi-los com a métrica manual, o dedo.


Um abraço


Zé Mata

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Última 4ª feira de Fevereiro - Presentes seis convivas

Foi assim a modsque, pouca gente, pronts, mas era munta boa!
Compareceram o Jacinto Latas, o Zé Contreiras, o Guilhoto, o Noca, o assíduo Silva Pinto e finalmente o retardatário, mas sempre presente Jacinto Xarrama.
Local do repasto: Baleal, pois claro. Já ali somos conhecidos e bem recebidos: o pessoal de serviço, quando nos vê, acolhe-nos com grande afabilidade e simpatia.
Escolhido o vinho, tarefa a cargo do Jacinto Latas, quando esperávamos um vinho da herdade dos Grôos ou das vinhas dos Sousa Uva, conterrâneos do Latas, aparece-nos um Monte Velho.
Parece que estou a desdenhar o Monte Velho, mas não, a escolha foi muito boa, porque é das melhores coisas que o Alentejo produz - benditos sejam os vinhateiros, desde os que amanham as terras até ao enólogo, passando pelos podadores e pelos apanhadores da uva, que nos proporcionam tal nectar. Ía dizer vindimadores, mas penso que hoje tal tarefa já não se faz como dantes, sendo preferida a colheita mecânica.
As opções de escolha da ementa foram em maioria para as pataniscas e o polvo à lagareiro, tudo a contento e nada a reclamar.
Mas deixemo-nos de materialismo e vamos às iguarias que alimentam os espíritos muito elaborados destes seis convivas:
  1. Comecemos pelos votos de melhoras e recuperação rápida do Robalo, ontem sujeito a cirurgia no Hospital do SAMS, (bancários);
  2. Lembrámos também o Oliveira Guardado que há três anos luta contra um AVC, em condições muito difíceis, como são todos estes casos de ataque traiçoeiro;
  3. Entrou-se depois na troca de galhardetes, mais ou menos amistosos, e sempre com elevação de abordagem, sobre as novas tecnologias e as manifestações "espontâneamente?" convocadas pelas redes sociais, em que foram intervenientes mais activos o Guilhoto e o Contreiras, com o Noca a moderar e o Latas a apreciar: O Zé Contreiras não se dispensa mesmo de estar presente na manifestação "apartidária" dos "jovens", geração "parva", que estão a ser convocados para a Avenida da Liberdade em 12 de Março;
  4. Já a "Abrilada" de Botelho Moniz em 1961, foi tema de grande interesse, em que Contreiras, Noca e Guilhoto, sob observação silenciosa, mas muito atenta, do Latas, intervieram com análises muito subjetivas e nem sempre coincidentes, verificando-se algum calor na discussão, mas acabou tudo em bem, como não podia deixar de ser, entre pessoas educadas e dotadas de bom senso;
  5. Finalmente, já em plena desembocadura da Rua Augusta com o Rossio, o Silva Pinto, o Xarrama e o Noca, a despropósito de tudo, envolveram-se numa interessante dissertação sobre arte,(ars = poema), e a sua relação com o bem e o mal, ressaltando-se que a capacidade criativa do artista, autor/criador de poemas, (lato sensu), é o apanágio mais saliente do homo sapiens e ela está na origem de todo o progresso da humanidade.

E "pronts"! Nada mais a acrescentar, senão que a Baixa de Lisboa está ficando triste, até os turistas, nesta altura, parecem pessoas estranhas, são incaracterísticos e inidentificáveis, tal a variedade de procedências e atipicismo dos espécimes: não gostei da Baixa, hoje!

O Rio Tejo, esse sim estava imponente e magestoso, como sempre! A travessia no velho Ferry que nos leva a Cacilhas é breve e cheia de surpresas, com a paisagem circular ímpar que se avista, desde a sumptuosidade da Ponte, presidida pelo Cristo Rei, até à austeridade das muralhas do Castelo, cheias de lendas e mistérios, desde que Martim Moniz se entalou na Porta e o Mestre de Aviz se fez coroar Rei depois de aclamado pelo Povão da velha Urbe,e ainda à longitude plana da margem esquerda, desde a Ponte Vasco da Gama até ao Pórtico da extinta Lisnave, na Margueira. É mesmo grande e belo este Rio que todos os dias beija os pés da Grande Lisboa!

Até breve Companheiros!

Noca